sábado, 1 de janeiro de 2011

New Year's Day In Porcelain


Estava distraída... e o Novo Ano veio; estava com a cabeça na lua e o ano velho passou a novo. Na lua que não se via, das nuvens, mas era lá que estava, a minha cabeça e eu também, mesmo não a vendo, à lua, porque saí por uns tempos; lá de cima vê-se melhor a barafunda que aqui vai por baixo e escrevem-se listas de afazeres para quando se voltar, para depois se arrumar tudo, para depois se conseguir meter tudo no lugar (qual lugar?). É pena é que quanto mais coisas se metem em ordem, mais outras se desordenem, como que num acto Universal de rebeldia de um mundo que diz: enjaulas-me por um instante, pensas que avanças, mas para onde queres tu ir? Ou pensarás mesmo que podes ir a algum lugar? Condenada que estás a andar em círculos... mas não te queixes, já que o círculo é a forma mais perfeita de todo o Universo...

Dizes tu... digo eu.

Não tive tempo de dizer de minha justiça, preparar o momento, fui apanhada desprevenida... mas tive tempo, tempo do resto, de dizer que desta vez sou eu quem manda. Desta vez sou eu quem manda, chega de ronha e de fazer apenas e tão só o que alguém diz. Faça-se uso do ridiculamente parco livre arbítrio (se é que existe de facto), ou da ilusão de se o ter; tornemos a ilusão de sermos livres por verdade e façamos de conta que verdadeiramente o somos.

Meta-se na ordem o mundo; e oh, que trabalheira seria se realmente pudéssemos! Talvez possamos, mas dá mesmo muito trabalho. Eu vou pôr o meu. E mesmo assim não darei conta, por certo, do ambicioso recado. Um trabalho que acaba jamais, ou a existência deixaria de fazer sentido. Temos de ter algo que fazer, algo com que nos entretermos enquanto cá andamos. Mas há quem se farte de ter sempre as mesmas coisas para fazer e eu fartei-me. Ainda que fossem sempre diferentes, eu às vezes sinto serem sempre as mesmas. Sou eu, eu sei. Mas não faz mal.

Diferentes, diferentes, diferentes. Get to work you lazy girl!


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