sábado, 1 de janeiro de 2011

E do que se foi?


Bem... desse, muito haveria a dizer, certamente... mas soube-me a pouco. E ainda bem, diz que é bom, diz que se sentimos a barriga cheia, a merenda foge... digo eu, que nada sei, e não é como o outro, que diz que só sabe que nada sabe e no fim até sabe muitas coisas, eu não, eu não sei mesmo nada, porque do que sabia, esqueci-me de tudo. Não, não fui atropelada por nenhum comboio, ou não estaria viva para contar, mas foi mesmo assim bem pior, que o tornado foi mesmo na minha vida. Não tombou nada, ergueu apenas, oh se ergueu, coisas boas mas estranhas, esquisitas e complicadas, infinitas trapalhadas... dizem-me agora que me cabe a mim decidir o que fazer com as embrulhadas que choveram dos céus, com aquelas que se não foram já. Poucas se foram, para dizer a verdade e mesmo essas, ameaçam voltar... que é assim que eu gosto das trapalhadas, que voltem, para eu as resolver cá a minha maneira... se forem novelos de lã emaranhados, daqueles que resultam das camisolas que já velhas mas a lã ainda se aproveita, é-de fazer camisola nova, ou xale, ou cachecol ou gorra, que há sempre tanta coisa que se pode fazer com os emaranhados... até se for daqueles novelos que os gatos regurgitam, em que nada já se aproveita, nem pássaros desfeitos em ossos e penas, nem ratos desfeitos em pêlos e cartilagens... mas até nesses, até para esses se encontra maneira de aproveitar a coisa, ou não tivesse alguma alma iluminada inventado a biocompostagem... que tudo tem sempre remédio e solução, dizem que menos a morte, mas até essa deve ter, a gente é que somos ainda meios parvos para perceber, mas um dia lá chegaremos, chegamos sempre, que remédio temos nós, se não chegar... e mais que remédio, mais que solução, é inventar coisas novas, daquelas que jamais veriam a luz do dia não fossem as trapalhadas...




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