sábado, 16 de junho de 2012

E eis que a Guerra vem


Pois se pedires, serás atendida. Foi pela guerra que pedi, foi a guerra que consegui. Mas a guerra que eu escolhi, oh se escolhi. E não é que seja guerra; só é guerra nas minhas entranhas em reviravolta, no meu peito dorido de dores que nem eu mesma sei explicar, que nem eu mesma sei de onde vêm.

E se num momento olho ao redor vendo acalmia, mais a noção de onde estou, no momento seguinte tudo se vira do avesso e eu perco-me. As vozes outrora seguras, que ainda que não me deixassem segura, falavam com segurança do presente. No presente eu estava segura; a acalmia poderia sim prenunciar guerra futura. E era isso mesmo que prenunciava. Um nó na garganta, é o que eu tenho agora; se um ponto de interrogação paira sempre sob os céus de paisagens futuras, agora a incógnita agudiza-se. Nada que premonições não me houvessem avisado já... mas e as vezes que as premonições apenas desnorteiam nada mais? Não sei se é de mais engano que se trata, não sei. 

Estou com medo, ah pois estou. Olho para o que construí e gosto do que fiz. Tenho medo de ter de derrubar coisas boas que construí, coisas boas que me fazem falta e das quais não quero abrir mão. Estou com medo, ah se estou. E nó na garganta, outro no estômago. Nem eu mesma sei explicar bem porquê.

sábado, 12 de maio de 2012

And now, what?


I'm happy now.

Se estás triste é porque estás triste, se estás contente é porque estás contente. Oh alma sem parança, descanso, sossego, interregno sequer. Mas que foi agora?

Olho ao redor. Está tudo tão quieto, está tudo tão calado. Tudo tão calmo. Fico com medo. Para mim nunca foi assim. Para mim não é assim que é para ser. Deus desenhou-me guerreira de alma, que o corpo é frágil. Foi lá que ele me pôs a força toda; não força para enfrentar problemas; talvez a tenha, mas não me enche as medidas essa força. A força com que vim de origem é força daquela que foi feita para empurrar, para me empurrar para chegar mais além. Cumprido um patamar, fui concebida para almejar o seguinte. Tenho por sina não conseguir sossegar ou tranquilizar-me, algo me perturba a alma constantemente,  quando não é isto é aquilo, quando não vem naturalmente, eu mesma invento. Oh, tormento, doce tormento, que eu gosto que seja assim. Pois não vim ao mundo para parar; avançar é só como sei estar, ainda que avance no sentido do retrocesso, pois todo o retrocesso contém em si a semente do avanço. 

Quando tudo se pacifica, pergunto-me - e agora? Onde está a guerra que se segue? Que faço eu com o escudo e a espada dos quais não entendo desligamento do meu próprio ser. Tenho de lutar, para avançar, ou algo me pode atropelar. Se parar fico no meio do caminho e posso correr riscos. Sinto-me mais segura em guerra que em paz. Mas não é guerra qualquer. Para eu lutar a guerra terá de ser aquela que eu escolher.

Procuro escolher. Será que me dão a escolher? Será isso que significa a acalmia? Talvez me estejam a dar a escolher. Que vontade de não escolher, de ficar sossegada; mas que fazer depois com o escudo mais a espada que trago acoplada? Não foi sossegada que nasci para estar. 

Procuro pela guerra que quero lutar. Olho ao redor e luzem pequenas luzes de almas em desespero necessitando salvamento... que posso eu fazer? Alguma coisa há-de ser. Alguma coisa tem de ser pois foi assim que nasci, foi isso que nasci para fazer. 

Guerra, que te escolho, salva-me tu da desgraça, que a verdadeira desgraça é a de se lutar por causa que não a nossa, que a causa alheia que é por nós escolhida, é nossa também.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Where do In find myself right now?



Here I am. Again. Asking myself where do I find myself now. Again. It's good to ask yourself that, once in a while.

I'm in a different place. Everytime I ask myself, I find myself in a different place. And that's something I find good. A good sign. It means I'm still growing. I feel like I'm growing more now than I used to when I was a young girl. It means I'm young, at my heart, I remain young, a teenager, a child. It's good to ask myself that question and notice that I have the answer. I love to hear that answer.


Já mudei de sítio, outra vez. Eu ando sempre a mudar de sítio; mudo mais de sítio psicológico, que de sítio físico. Mas não me canso. Como se, de quantos em quantos meses, eu acordasse uma pessoa diferente. É bom, eu gosto de mudar assim, sobretudo porque sinto mudar para melhor. Há muita coisa que consigo ganhar e conquistar. Há alguma que perco; quando olho para trás e vejo que perdi qualidades assusto-me. Corro para trás, vou lá buscar e volto num ápice para o sítio onde estava antes, na tentativa de que ninguém se aperceba da perda. De que eu mesma não me aperceba da perda.
Então, se mudei de sítio, onde estou? Estou a caminho. E agora, vejo o caminho. Há coisas que eu sei que, ao longe parecem umas coisas, mas quando me aproximar se revelarão algo diferentes. Não faz mal, a vista aprimora-se a cada dia, que a vista precisa de treino como tudo mais. É preciso insistir a olhar com olhos de ver. Ao início a vista trai-nos, não está habituada a ver como deve ser. Mas os olhos já não me traem. As vozes guiam-me ao invés de me desorientar. Este dia iria chegar, sempre soube, mas não soube confiar, nem acreditar. Quando estamos no meio da tempestade, por vezes temos dificuldade em acreditar que a bonança se lhe segue. E a tempestade poderá voltar até; mas a que a enfrentar é outra agora, é diferente da que era antes, tem outras armas, outras ferramentas. Já não se atormenta da mesma maneira, nem se assusta com as coisas de antigamente. Assustam agora outras coisas, que um dia, por sua vez, deixarão de assustar elas também. É sempre assim; umas levam mais tempo, outras menos, mas é sempre assim.
Estou a caminho de mim; andei perdida por atalhos em que me meti, cuidei que nem todos os caminhos levariam a Roma, mas levavam. Os atalhos; meti-me em trabalhos, mas lá cheguei. Os quilómetros que poupei valeram-me golpes e arranhões, mas houve caminhos que assim aprendi que não teria aprendido de outra forma. Não adianta pensar que poderia ter sido diferente; poderia, é certo, mas seria outra a que estaria aqui a escrever e não esta que aqui se encontra, e eu gosto desta, não a trocava por outras mais asseada e menos arranhada.
Quando começamos a chegar, os contornos tornam-se mais claros. As perguntas que nos fizemos pelo caminho encontram resposta. Os vislumbres longínquos encontram contornos cada vez mais perfeitos, definidos, concretos. O sonho transmuta-se em realidade. Eu sabia que assim seria. Ainda assim, para tudo o que vi, tenho a sensação de pouco me haver ainda aproximado. Mas sei que me aproximo. A cada passo tenho a confirmação. Que, ao longe, se vislumbrava uma grande montanha, cheia de caminhos e grutas e bosques e veredas. Caí num vale e deixei de ver a montanha; duvidei da sua existência, cuidei haver-me confundido. Mas não. Em momento algum me confundi. Tudo o que vi estava lá; recomecei a vistrumbrar a montanha mal consegui recuperar do vale.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Luzes


Chego agora cada vez mais, onde cuidei não mais conseguir chegar. Não quero a morada da chegada igual à que conheci da outra vez que lá cheguei. Quero umas coisas, outras não as quero para nada. Quero aquela luz, aquela pela qual suspirei tantas vezes... aquela que tantas vezes me questionei para onde havia ido... e que agora se insinua, que agora parece sussurrar que veio para ficar. Não consigo, no entanto, evitar questionar: será? Tantos que foram os altos e os baixos, caminho percorrido por montanhas e por vales desconexos, sem qualquer sentido que lhe conseguisse perceber... já não estou cansada. Tenho mais e mais ganas de viver e se num dia parece sombria a vida, a simples constatação da presença desta mesma sombra parece espantá-la como se espanta uma nuvem de fumaça, como se de um abrir de janelas se tratasse... será que é assim, será que a luz se vai mesmo espalhar? E uma vez espalhada será essa a sua versão final? Pelo menos em termos de intensidade e de espalhamento; que pormenores eu depois trato. Não quero a cegueira. A cegueira que provoca a luz, não a quero. Ofuscada pelo brilho dos dias mornos e luminosos, não vejo o negrume fecundo das coisas que urge mudar. Cessa a evolução, vive-se um dia de cada vez sem se pensar no que já foi e no que está por vir. Quero discernir na luz o caminho que aqui me trouxe e o caminho que é suposto calcurrear. Com os devidos erros de cálculo de quem olha à distância, mas se posso saber, quero saber. Não apenas em termos de coisas, mas em termos da substância de que é feito o espírito. Que se não me apague o espírito com o acender da luz; que se não me apaguem as luzes de dentro com o acender das luzes de fora...