sábado, 12 de maio de 2012

And now, what?


I'm happy now.

Se estás triste é porque estás triste, se estás contente é porque estás contente. Oh alma sem parança, descanso, sossego, interregno sequer. Mas que foi agora?

Olho ao redor. Está tudo tão quieto, está tudo tão calado. Tudo tão calmo. Fico com medo. Para mim nunca foi assim. Para mim não é assim que é para ser. Deus desenhou-me guerreira de alma, que o corpo é frágil. Foi lá que ele me pôs a força toda; não força para enfrentar problemas; talvez a tenha, mas não me enche as medidas essa força. A força com que vim de origem é força daquela que foi feita para empurrar, para me empurrar para chegar mais além. Cumprido um patamar, fui concebida para almejar o seguinte. Tenho por sina não conseguir sossegar ou tranquilizar-me, algo me perturba a alma constantemente,  quando não é isto é aquilo, quando não vem naturalmente, eu mesma invento. Oh, tormento, doce tormento, que eu gosto que seja assim. Pois não vim ao mundo para parar; avançar é só como sei estar, ainda que avance no sentido do retrocesso, pois todo o retrocesso contém em si a semente do avanço. 

Quando tudo se pacifica, pergunto-me - e agora? Onde está a guerra que se segue? Que faço eu com o escudo e a espada dos quais não entendo desligamento do meu próprio ser. Tenho de lutar, para avançar, ou algo me pode atropelar. Se parar fico no meio do caminho e posso correr riscos. Sinto-me mais segura em guerra que em paz. Mas não é guerra qualquer. Para eu lutar a guerra terá de ser aquela que eu escolher.

Procuro escolher. Será que me dão a escolher? Será isso que significa a acalmia? Talvez me estejam a dar a escolher. Que vontade de não escolher, de ficar sossegada; mas que fazer depois com o escudo mais a espada que trago acoplada? Não foi sossegada que nasci para estar. 

Procuro pela guerra que quero lutar. Olho ao redor e luzem pequenas luzes de almas em desespero necessitando salvamento... que posso eu fazer? Alguma coisa há-de ser. Alguma coisa tem de ser pois foi assim que nasci, foi isso que nasci para fazer. 

Guerra, que te escolho, salva-me tu da desgraça, que a verdadeira desgraça é a de se lutar por causa que não a nossa, que a causa alheia que é por nós escolhida, é nossa também.