sábado, 16 de junho de 2012

E eis que a Guerra vem


Pois se pedires, serás atendida. Foi pela guerra que pedi, foi a guerra que consegui. Mas a guerra que eu escolhi, oh se escolhi. E não é que seja guerra; só é guerra nas minhas entranhas em reviravolta, no meu peito dorido de dores que nem eu mesma sei explicar, que nem eu mesma sei de onde vêm.

E se num momento olho ao redor vendo acalmia, mais a noção de onde estou, no momento seguinte tudo se vira do avesso e eu perco-me. As vozes outrora seguras, que ainda que não me deixassem segura, falavam com segurança do presente. No presente eu estava segura; a acalmia poderia sim prenunciar guerra futura. E era isso mesmo que prenunciava. Um nó na garganta, é o que eu tenho agora; se um ponto de interrogação paira sempre sob os céus de paisagens futuras, agora a incógnita agudiza-se. Nada que premonições não me houvessem avisado já... mas e as vezes que as premonições apenas desnorteiam nada mais? Não sei se é de mais engano que se trata, não sei. 

Estou com medo, ah pois estou. Olho para o que construí e gosto do que fiz. Tenho medo de ter de derrubar coisas boas que construí, coisas boas que me fazem falta e das quais não quero abrir mão. Estou com medo, ah se estou. E nó na garganta, outro no estômago. Nem eu mesma sei explicar bem porquê.

2 comentários:

Miguel Bento disse...

O receio do desconhecido transfere para o nosso interior uma onda de dúvidas, misturando sentimentos de duvida com beleza de sentimentos, contudo nunca devemos deixar de ter os nossos costumes pois foram eles que nos trouxeram até aqui sobrevivendo a frios invernos protegendo de duvidosos verões, receber o que vem urge tanto como preservar o que se teve, e é nesse equilíbrio que damos um passo em frente na autoestrada da vida.

Nina Porcelain Lennitta disse...

Miguel: quando não se tem nada, não se tem medo, não se tem nada a perder... a vida começou por me tirar muito do pouco que eu tinha e depois disso, tudo o que veio foi ganho... mas entretanto, ganhei, ganhei muito! A vida deu-me muito, menos do que eu sonhei, do que eu esperei, mas mais do que eu temi alguma vez não conseguir atingir. Agora temo pelo que construí, temo pelo que julgo que tenho, já que na verdade, neste mundo, nunca se tem nada realmente... a posse é uma ilusão, mas é uma enebriante e doce ilusão quando nos vemos construir algo com que nos identificamos... passamos a ter algo a perder e o desconhecido deixa de ser tão atractivo, deixa de ser o buraco escuro para onde nos atiramos sem contemplações, para ser o buraco escuro onde o escuro não é um aliciante, mas um motivo de desconfiança... como ter uma vida boa e feliz sem temer perder tudo no futuro?